My hands, they’re strong

É quando percebo que já não penso como costumava pensar. Em algum momento, de alguma forma, eu mudei. Sou mais sensitiva, isso existe? Acho que é bem isso, sinto mais, por mim e pelos outros. Sinto mais mim mesma; e os outros. Não sei se estou fazendo sentido, aliás não sei se essa mudança faz de fato sentido algum. Me vejo mais mãe do que nunca, ou mãe, de fato. Acho que a questão é que me vejo, simples assim. Enxergo o que antes era uma nuvem de incertezas, agora de forma clara e precisa. Sei quem sou, onde estou e o que esperar do amanhã. Sei o que me move e tenho certeza absoluta de onde quero chegar, sei onde meu espírito vai encontrar a felicidade plena.

Nunca soube me portar muito bem, não sei se por insegurança ou por mudar tanto de opinião e de planos. E hoje, pela primeira vez em muito tempo, eu acordo sabendo o que fazer do meu dia, sabendo o que fazer de mim e do mundo. Sabendo qual o meu papel, assim, simples. Sabendo o que o universo espera de cada um de nós. E mais do que isso, ouvindo os chamados, seguindo os passos, fazendo acontecer.

Não sei se é demais dizer que me encontrei. Mas encontrei a paz de espírito que vim buscar. Encontrei meu chamado. Entendi minhas necessidades.

“E então tudo paira à minha volta, sorrio e sigo a sonhar, penetrando adiante no universo.” Goethe

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Caro senhor Destino,

Caro senhor Destino,

Sempre fui uma crente assídua na tua existência então me sinto no poder de lhe falar algumas palavras. Me interesso de verdade pelo que o senhor planeja para mim no futuro, deve ter muita coisa boa vindo ao meu encontro nos próximos tempos. Digo isso uma vez que o senhor parecia estar de brincadeira comigo nesse ano que passou. Não me leve a mal, agradeço por todos os encontros e desencontros que cruzaram meu caminho e, agradeço principalmente por você tê-los levado para bem longe da minha pessoa em tempo recorde. Porém, acho que seu sarcasmo já poderia migrar para outra pessoa, o que o senhor acha?

Como o senhor mesmo sabe, eu sonho em encontrar alguém que preste, assim, para sair da rotina. Eu sei que você já planejou tudo e tal, mas será que tem como você agilizar um pouquinho esse processo? Sabe, está chegando o ano novo, todo mundo faz resoluções e planos, mas como eu estou meio cansada de fazer planos que nunca se concretizam, resolvi vir direto à fonte. Se o senhor estiver tendo dúvidas sobre como esse meu próximo ano vai acontecer, posso te dar uma mãozinha e seria ótimo se você levasse em conta os meus desejos e a minha opinião. Pode deixar que até fevereiro eu me viro, sem problemas, mas depois precisamos estipular algumas regrinhas que eu peço encarecidamente que o senhor siga:

1. Todo ano o senhor faz questão de colocar um traste novo no meu caminho para me causar problemas: não repita esse passo esse ano.

2. Gostaria que você deixasse minhas opções de estágio em aberto, e que sejam muitas, tudo bem? Você pode ter se decidido quanto à minha carreira mas eu continuo bem em dúvida, então respeite o meu tempo se for possível.

3. Sem gracinhas envolvendo a saúde dos meus familiares e amigos, acho que está na hora de você me dar um tempinho para respirar tranquila.

4. Será que é pedir muito se você, por favor, finalmente, depois de tanto tempo, colocar o amorzinho da minha vida na minha frente? Assim, paupável, possível, sem distâncias geográficas ou catástrofes envolvidas?

Seria realmente muito gentil da sua parte considerar um pouquinho esses meus pedidos, já que eu tenho sempre respeitado suas decisões e seus avisos abruptos de mudança de caminhos. Quanto às gracinhas que você vive criando no meu dia a dia para testar minha paciência, acho que nós dois já percebemos que eu respondo com a mesma ironia, então a intensidade de testes podia diminuir também, né?

Bom, creio que é só. Muito obrigada pela atenção e vê se não ignora essa carta, você já percebeu que quando eu quero uma coisa eu não desisto tão cedo, né? Foi você mesmo quem me quis assim. Não deve ser fácil segurar as rédeas da minha vida sempre tão presas, então espero que esse tempo te deixe menos carrancudo, você bem está precisando de um descanso…

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Lembrei.

Lembrei. Lembrei exatamente da primeira vez que cruzamos olhares. Me veio do nada assim à cabeça. Estranho, né? Lembrar de você depois de tanto tempo. Estava concentrada no meu livro quando você passou e como num reflexo eu te segui com os olhos, sem perceber. Você nem me notou e eu nem me toquei, voltei a ler como se nada tivesse acontecido. Mas daí eu até ri quando me vi olhando pra cima de novo involuntariamente. Dessa vez você manteve o olhar fixo no meu enquanto caminhava. Nem reparei na sua roupa ou no rosto, só lembro dos seus olhos. E a gente sorriu e depois voltou cada um pro seu canto.

Tantos olhares vieram a seguir que eu nem lembrava desse. Mas foi engraçado. Bem como eu disse, involuntário. Pelo jeito não existem coincidências mesmo.

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Mirror’s edge

Preciso de mudanças constantes. Algo pra me arrancar do suicídio incontestável que todos nós acabamos caminhando em direção. Um grito de consciência depois de dias no silêncio mais assustadoramente barulhento que há. Ficar parada me dá todos os tipos possíveis de alergia. Preciso do levitar-se que a surpresa traz. Daquele choque que dura um segundo e traz o coração à boca, antes do entendimento. Gosto de pensar que minha alma necessita de impulsos e que isso não faz parte só da minha inquietude, mas do meu íntimo.

Eu preciso de provocações constantes. A mesmice, pra mim, é quase a morte. É o passo anterior à perda total de sentido.

Sem a busca pelo novo a gente perde o fôlego. Ou simplesmente a vontade de respirar.

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Minha velha alma cria alma nova

“Quer voar pela boca, quer sair por aí… E eu digo calma alma minha, calminha, ainda não é hora de partir.” Zeca Baleiro

Já imagino os olhinhos sedentos de fantasia a me observar. Uma mistura de medo e curiosidade ao me verem entrando na salinha pela primeira vez, o que essa menina tão diferente de mim veio fazer aqui? Vão pensar. Quem está ficando com medo sou eu. Preciso ter tanto cuidado ao me envolver, vai ser tão difícil conseguir controlar esse meu instinto maternal. Já imagino os bebês dormindo tranquilos, sem ideia alguma do que todo aquele ambiente significa. Os sorrisos dos mais velhos ao perceber que tem gente nova trabalhando, historias novas, carinhos novos. Imagino como o coraçãozinho deles deve bater mais forte quando a gente entra pelas portas daquela “casa”. Na minha imaginação tudo é tão colorido, vivo, alegre. Tenho tanto medo do que eu vou enfrentar, de não ser nada disso, de eu não conseguir segurar o choro. Preciso baixar as expectativas. Mais do que isso, preciso trocar um pouco de papel e me imaginar do lado de lá dessa organização toda. Eu preciso conseguir me controlar. Meu sorriso tem que ficar grudado no meu rosto o tempo inteiro, independente do que eu veja/vivencie/sinta. Eles precisam disso, e precisam muito mais do que eu. Afinal, eu me inscrevi em um programa de ajuda ao outro, não de auto-ajuda. Se bem que não tenho dúvidas de que essa deve ser uma das melhores (e mais radicais) formas de se conhecer. Amadurecer, vamos colocar assim. E esse contraponto de ajuda mútua é que deve ser o centro de tudo isso. Eu estou tão ansiosa, meu coração vem na boca. Eu sempre quis isso e agora que está tão perto parece que eu quero mais ainda. Mas essa ansiedade está alta demais e eu admito que já penso mais na minha volta do que na minha ida. Calma alma, calminha. Ainda tem muito chão até lá, e mais que isso, chegando lá é que eu vou começar a realmente pôr os pés no chão. Vou precisar ser sensata, tranquila e totalmente altruísta. Vai ser mais do que um aprendizado, vai ser um divisor de águas.

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Sabiá

Você sempre me olhou diferente. Me considerou diferente.

Você me distingue, delas.

E eu distinguo você de todos os outros também.

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Mar, metade da minha alma é feita de maresia

Deixa pra lá. Eu não devia ter compartilhado essa minha inquietude. Agora sei que quando me olha não consegue me compreender e isso dói tanto. Calma, ainda estou aqui. Dentro de mim ainda vive a mesma garota que conheceu, ainda navegam os mesmos sonhos, ainda brilha a mesma inspiração. Não, não vá embora só porque descobriu minhas falhas. Não perca todo o interesse em mim, um pouquinho de curiosidade ainda deve restar em você. Eu ainda sou um redemoinho, tenho tanto pra contar, não caia na armadilha de me julgar pela minha falta de rédeas, eu ainda estou aqui, prometo que sim.

Não acredito que deixei você entrar, sabia que iria me arrepender mas você insistiu tanto que eu era fechada, daí eu me liberto e você reage assim. O quê? Agora não estou mais à altura da sua admiração? Só porque não sigo os seus moldes já não tenho valor? Devo, enfim, desviar o olhar quando cismas em estudar meus reflexos?

Engraçado como a gente deve sempre ouvir nossas intuições. Eu deixei as minhas de lado e deu nisso, você se perdeu dentro de todas as minhas incertezas e nem eu sei como te puxar de volta à superfície. Eu não devia ter compartilhado essa minha inquietude. Desde o começo devia ter percebido que você não era forte o bastante para suportar o peso que eu transporto em silêncio, e você, sinceramente, não devia ter insistido em me conhecer tão bem. Agora sei que quando me olhas não consegues me compreender. E de fato, sempre soube que era incompreensível, como essa sensação de que eu devia simplesmente deixar pra lá.

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Não vou me adaptar

As vezes, os sinais se escondem. A incompatibilidade (tão aparente aos demais) nos é desconhecida. E lá no fundo, no desvendar dos nossos labirintos emocionais, algo sai dos trilhos. Mas a gente cisma, tenta, tenta, força. Até enferrujar de vez. Criança mimada que reconhece o erro, mas continua aos berros. Enquanto o nosso inconsciente tenta de qualquer forma nos mostrar o óbvio, a gente fica ali, se afundando em mágoas inexistentes de sentido. As vezes o tombo é minúsculo mas algo em nós parece querer que o estrago seja uma avalanche. Eterna mania de sofrer à toa…

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Dentro de um livro, na cinza das horas.

Entre o amanhecer e o primeiro raio de sol. Veio como um livro de lembranças que em fotografias recortadas conta a história de uma vida inteira.

Reconheci as fases do relacionamento nos teus olhos enquanto falava. Sei que houve a conquista, depois a entrega. Sei que houve a paixão dominando tudo, o corrigir os sonhos, a felicidade plena. Pude ver a pureza de um sorriso de canto de boca ao lembrar dos primeiros meses, dos primeiros beijos. Os encontros escondidos, a ansiedade de uma vida futura. Mas daí você estremeceu. Mordeu os lábios de leve e olhou para mim com um vazio tão aparente que eu até chorei. Eu sei que foi diferente do planejado nossa trajetória. Eu vi nossa ideologia ruir, bem na nossa frente. Senti seus ombros murcharem como quem não alcança o objetivo e tem que se contentar com o menos, como o bem pouco; e isso me doeu tanto. E as fotos foram perdendo a vida; retratos em preto e branco de uma realidade inexistente, de pura fantasia. E o livro já não tinha frases bonitas, enfeites, sorrisos. E a gente já não tinha planos, compromissos ou paraísos artificiais nos quais apoiar nossa insistente ignorância.

Quando você percebe que o barco está afundando você normalmente tenta se salvar, mas a gente não, a gente foi afundando junto até perder o ar. E daí você se levantou. Entre o amanhecer e o primeiro raio de sol. Pegou minha mão como quem pede por socorro e se sentou ali, jogando palavras no ventilador, tentando achar algum sentido nisso tudo. E com um último beijo, e finalmente, a gente admitiu o que estava tão difícil de enfrentar, há tanto tempo.

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Acordei de sobressalto. Assustada, buscando o ar que havia sumido do meu corpo naquela última cena que eu presenciei em sonho pesadelo. Foi tão verdadeiro o ódio nos seus olhos. Foram tão firmes os seus dedos em volta do meu braço. Foi tão real o meu desespero, as lágrimas, os gritos, o medo. Acordei de sobressalto e te vi deitado ali, do meu lado, calmo, em paz. Como distinguir o que é imaginação e o que é fato? Será um aviso? Será o destino evidenciando que eu me enganei quando te senti tão terno e bom e justo?

Olhei seus olhos, bem fechados, sem vida. Definitivamente estava dormindo. Que sentimento foi esse que me invadiu? Aonde foi parar aquela vontade constante de te abraçar e pedir por socorro no teu colo? Como me reaproximar agora depois de conhecer um lado seu que me assustou tanto? Por quê esse sonho não pareceu só um sonho e eu acordei, contei ele pra você e continei te amando como sempre, te pedindo carinho, te pedindo proteção? Por quê essa sensação de que eu devia correr enquanto seu sono continua pesado? Toda a agonia do sonho continua aqui e eu sinceramente não sei mais no que confiar. Ainda sinto os apertões, ainda ouço os berros, ainda choro as mesmas lágrimas. Meu Deus, que sentimento é esse de invalidez? De onde vem essa dúvida?

Acordei de sobressalto e não me reconheci. Mas mais do que isso. Acordei de sobressalto e não te reconheci. Esse homem não era mais o meu. Era um monstro. Era o centro de tudo que um dia viria a me machucar e eu tinha certeza disso. Amor e ódio, lado a lado. Amor e submissão também. E depois vem o medo.

Acordei de sobressalto e senti tudo isso ao mesmo tempo. O amor some muito rápido quando você percebe do que uma pessoa é capaz. E a linha tênue entre verdade e mentira, sonho e realidade, imaginação e fato, te confunde apenas por alguns segundos, e depois não tem mais volta. O sentimento que antes existia some assim, de sobressalto.

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Make me smile

You know when you have that feeling that everything around you has just stopped moving for a while? Like you’re stuck in time? I woke up today and felt so relieved. It’s like everything I’ve always looked for had landed right in front of me and almost begged for recognition. The way you looked at me, the way you took my hand, the way you smiled at how awkward and easy us being together was… I’ve waited so much for this. It’s no coincidence for you to show up at the exact moment I decided it was time for a change. I call it destiny. Truly, I call it anything but chance.

 

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Chasing pavements

Engraçado como um dia pode anular tudo que já passou.

Ela acordou com um peso nas costas, com o corpo repleto de arrependimentos e dúvidas. Pela janela avistava o sol se escondendo por entre as árvores e logo fazia o mesmo, fechava de novo as cortinas e se encolhia ali, na sombra. Circulava a palma da mão com o dedo, observava as discretas rugas, olhava em volta confusa. Quando resolveu abrir os armários e encarar o mundo já não se reconheceu mais. Olhou mas não viu. Procurou, mas não encontrou nada forte o bastante para socorrê-la daquele quarto escuro, para arrancá-la daquela monotonia. O tempo passara e a solidão que ela custava em não admitir conhecer agora a prendia àquele quarto sem vida, àquelas memórias vadias. Engraçado como de uma hora para outra uma simples manhã ensolarada pode anular tudo o que já passou, tudo o que já se conhece, tudo o que já foi.  E foi assim que ela finalmente se deparou com a falta que ela sentia de si mesma, da insensatez de menina.

“Now should I give up or should I just keep chasing pavements, even if it leads nowhere?”

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De dentro para fora

O motivo – molhado de acaso.

O amanhã cinzento, o ideal quebrado.

A indiferença.

O arrepio, a descrença.

Os olhos calados. O corpo fechado.

A intencionalidade suja.

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Ponto e vírgula

Quando olhei para a frente percebi algo que há muito havia deixado de lado: o poder que tinham meus próprios pés. Era como se de uma hora para outra tivesse retomado a consciência de que podia escolher que direção seguir, podia mover-me sozinha, agora sem nenhum resquício de culpa me prendendo ao chão, ao ontem. Observei o mar agitado e como se por consequência fui invadida por uma calmaria inexplicável. Chorei controladamente pela primeira vez na vida, sabendo exatamente o porquê daquele descarrego todo. Fazia tanto tempo… tanto tempo. Quando ousei reabrir os olhos e vi que ainda estava sozinha, sob meus próprios pés, encarando de frente o meu caminho, daí sim sorri. Sorri, estralei os dedos, prendi os cabelos e dei o primeiro passo. Leve. Livre. Minha. Minha. Tão esperada liberdade, meu tão sofrido amadurecimento, meu encantador recomeçar.

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Pelo grito de socorro do nosso espírito

Nesse cenário de tanta insatisfação, desilusão, depressão, onde é tão mais fácil e prático ser feliz sozinho, eu me vejo agradecendo a conspiração do Universo por você ter aparecido na minha frente assim: pouco se importando pras entediantes regras de conduta. Pras “perfeições” previamente estipuladas pelos tão ingênuos amantes do ontem, pras estranhas cobranças de casos sentimentalmente inexistentes… Você veio como o acompanhante ideal pros tantos tapas na cara dos casais que se acham justos pelo simples fato de renegarem seus mais sinceros desejos, que pedem por algo novo, por mais, por sempre. Eu e você contra os sonhadores que acreditam que amar é o simples não-trair, que o companheirismo é omitir as inseguranças. Contra os antiquados que consideram a espontaneidade falta de respeito. Eu e você cuspindo no convencional, no esperado, no aceito, no tido como certo. Você surgiu pra me guiar por toda essa viagem de autoconhecimento, por todas as alucinações e experimentações da verdadeira liberdade. Nós dois contra o mundo, amando despreocupados, rindo da cara dos hipócritas que se contentam com pouco. Lutando por uma vida regida pelos pedidos do nosso inconsciente, pelo grito de socorro do nosso espírito, pela energia emanando da veia.

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Oh, those Summer nights

We met in the Summer. 40 degrees in New York city. I was going crazy trying to finish my monograph while having a latte in the 7th street Starbucks when I first saw him. He walked by with his amazingly good looking blond tall girlfriend. This had never happened before, but I couldn’t fight it. I just finished my coffee, closed my notebook and was on the street in about 10 seconds. He noticed. I know he noticed me just like I’d noticed him. And in that very unusual day our very unusual story began.

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Discutindo a homofobia, por Fernanda Guimarães:

“Primeiro de tudo, pra quem acha que certas discussões estão na moda. Discutir o preconceito, seja xenofobia, homofobia ou racismo, como isso afeta a nossa sociedade não é MODA. É da perspectiva mais LASTIMÁVEL achar que é pura e simplesmente tendência cidadãos com direitos procurarem todas as vias possíveis para conseguir políticas públicas que os defendam. Se a discussão da homofobia está tão efervescente agora não é por moda e sim por causa de espancamentos (um dos poucos que caíram na mídia), por causa de conservadores hipócritas como Bolsonaro e por causa da lamentável proposta do dia do orgulho heterossexual para não citar outros fatores. Para os ignorantes que se incomodam com a presença de pessoas que fujam do padrão historicamente edificado por religiões que seguem tradições MEDIEVAIS (atenção, estamos no século XXI), o preconceito funciona como uma barreira da expressão pessoal dos indivíduos. Para as vítimas do preconceito, o tabu imposto pela sociedade opera de maneira a evitar que certas atitudes se concretizem, tipo o humor homofóbico. Porém, alguns indivíduos aparentemente sem noção dos códigos sociais não se deixam frear pelo tabu e insistem na ofensa. MUITAS piadas homofóbicas já viraram lugar comum e são aceitas. Seguindo essa linha, me intriga o por quê do drama hétero-religioso-burguês que reclama quando algum homossexual sente-se ofendido. Afinal, não estão os heterossexuais extremamente ofendidos, afetados e sensíveis a ponto de organizarem o dia do orgulho hetero? Voilà, todos se ofendem, todos se afetam e NÃO É NENHUM EXAGERO, MUITO MENOS EXTREMISMO alguém reclamar quando a piada vai além dos limites. O que espera-se de uma sociedade civilizada (aparentemente uma utopia porque tenho visto que alguns comportam-se de maneira ANIMALESCA) é o respeito mútuo. Porém, como disse antes, existem alguns que não sabem medir o que é ofensa ou não.

Como estudante de comunicação e a favor da democracia, sou pró liberdade de expressão, porém, deve-se saber que palavras têm consequencias. Um exemplo recente é do Lars von Trier em Cannes. Ele disse o que pensava e pagou por isso. Pagou pois ele tocou num assunto delicado, com o qual TODOS devemos ter tato para tratar. Quando o assunto é a homofobia e considerando os acontecimentos últimos no Brasil e no mundo, as palavras DEVEM ser medidas pois ainda ofende-se muito, desrespeita-se muito.

Algo que me confunde de maneira inebriante é quando se diz: “se você não é capaz de aceitar a opinião alheia, não expresse a sua também, guarde pra você.” Ora, ao que me parece é que quem escreve isso tenta de alguma maneira refrear um ponto de vista que lhe punge. Até onde sabe-se, debates e discussões CONSTRUTIVOS E SAUDÁVEIS acontecem com base nessa diferença de opiniões. E, em nenhum momento deve-se ACEITAR a opinião alheia e sim, respeitá-la e em seguida, defender sua própria. Será que devo dizer em réplica: Vamos todos ficar calados? Afinal, não vejo ninguém aqui capaz de acatar com a opinião alheia (nem deveríamos), não vamos nos expressar? Nem por meio de uma reles piadinha homofobica. Fica aí minha dúvida.

Em um certo momento eu até disse que todos se ofendem, todos se afetam, ou seja, eu compreendo os dois lados da moeda. Um onde o homossexual sente-se ofendido pelas piadas, outro onde o heterossexual por ter sua expressão pessoal coibida também, a partir do momento em que toda piada é politicamente incorreta. Por último, devo dizer que aceito sim a diferença de opiniões, já que, como disse antes, acredito que essa é a base de um debate saudável. A minha ressalva continua sendo quando dizem que devo ACEITAR o ponto de vista alheio, porque, realmente, esse não é o meu papel nem o de ninguém. Afinal, se todos aceitássemos não haveria discussões, apenas passividade e conformismo, pois a partir do momento que aceitamos abrimos mão da credibilidade das nossas próprias visões de mundo.”

De uma simples conversa de facebook, surgiu esse texto extremamente inteligente. Algo que todos deveriam ler, portanto me senti na obrigação de compartilhar. Todos os créditos à Fê!

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Baby, I finally know what I’m going after.

E eu me vi de novo ali, na cama desorganizada que percebia a falta do seu perfume, que chorava a falta da sua presença, que sentia o abandono de todo aquele carinho que a gente demonstrava diariamente à quem estava à nossa volta. Senti de novo o gosto ácido do que é a saudade que chega invadindo todos os cômodos da casa e todos os cantos do meu corpo agora tão gelado com a falta da calmaria que a paixão que a gente sentia me trazia. Olhei pela janela nostálgica e senti tanta coisa ao mesmo tempo que eu nem sei como explicar assim, em meras palavras. Resolvi dar uma volta pela cidade pra tentar deixar pra trás as lembranças que aquele apartamento fechado guardava, de tantos dias de sol, de tanto compartilhar. Logo no terceiro quarteirão aconteceu uma das melhores coisas dos últimos meses, começou aquela chuva leve, fria, encharcando meu rosto e minha alma em menos de um minuto, e me trazendo à tona de novo. Me incendiou com memórias estagnadas de dias maravilhosos e amores antigos e superações que eu nem me lembrava mais.. A chuva sempre soube como me animar, como me fazer sentir o gosto de cada sentimento de um casal apaixonado, da senhora que rega suas flores e sorri para desconhecidos, das crianças que seguram assustadas as mãos dos pais pela rua.

E assim, mais tarde, eu me vi de novo ali, na cama desorganizada que me acolhia como se o seu dono tivesse finalmente retornado de uma longa viagem, como se ela percebesse a mudança no meu humor, na minha dor, na minha ansiedade por dormir sozinha e descobrir o novo, que me abraçava carinhosamente. Me vi ali sorrindo pra cada lembrança, guardando o calor da nossa paixão como a coisa boa que ela tinha sido, idealizando o futuro, a paz, a liberdade de poder abrir a janela de novo sem receios, sem mágoas, sem medo de tirar os pés do chão. Senti de novo o gosto doce de não saber pra onde ir nem por onde começar a reorganizar meus dias, de não querer me prender a nada, de fechar os olhos e enxergar o mundo todo se oferendo à mim assim, de mão beijada.

E de repente eu fui invadida por tantas palavras lindas que podiam expressar exatamente toda essa felicidade repentina que eu me esqueci de todos os dias que eu senti sua falta, me esqueci completamente de onde surgiu aquela tristeza toda e daí só sobrou isso. Paz. Em todos os seus sentidos. Paz e chuva. Deliciosa chuva de verão.

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A Sunday smile

Mania que a gente tem de querer sempre o mais difícil de conseguir. Seria tão mais fácil deixar passar essa paixonite, ignorar nossas qualidades comuns, o sorriso no seu rosto quando a gente amanheceu junto, a facilidade da conversa nas horas seguintes, o carinho despreocupado no fim do domingo. Tudo que eu tinha que fazer era deixar pra lá até que viesse um outro encontro, uma outra oportunidade perfeita pro nosso despretensioso caso. Era assim, espalhados por finais de semana durante o ano. A gente nunca sabe quando vai acabar se esbarrando por aí, no esboço dos nossos dias tão facilmente entrelaçados mas que o acaso parece querer distanciar. Queria multiplicar esses momentos, aproximá-los, itensificá-los. Numa entrega verdadeira além de um simples “estar”. Mas você insiste nesses planos estranhos, nesses pactos com outras tantas quaisquer por tempos e tempos, sempre tão sem porquê, e me reduz a apenas dias ou noites, ou dias seguintes, nunca o pacote completo. O que eu posso dizer, adoro nossos encontros e desencontros, essa liberdade de saber que o amanhã não vai ter nenhum nós, que a gente não tem que se preocupar com a convivência, com o dia a dia, com a parte chata. Mas hoje eu sonhei com você. Com nosso abraço apertado na noite fria, com o seu olhar preguiçoso logo que amanhece; Revi sua cara de ressaca física e moral de quem devia ter resistido à última noite, ou de quem teve certeza, ainda que por algumas horas, de que queria mesmo era fugir pra esse mundo onde você podia ser meu… Sonhando com você me lembrei de como é bom. E veio essa vontadezinha de me meter num caminho complicado de tentar conquistar um pouquinho mais da sua atenção, aumentar um pouquinho mais essa confusão, ou simplesmente descomblicá-la de vez. Vontadezinha de poder chamar de meu.

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Pelas colinas

Nada como, em um final de tarde, encontrar uma banda tocando ali, na pracinha, com vista pro rio… A melodia era tão gostosa, um folk tocado do fundo do peito, do fôlego, do desejo de expressar essa entrega que só a música permite, esse se jogar ao mundo. Veio tanto a calhar que eu me sentei ali mesmo, no meio da passarela, no meio de mil transeuntes apressados. Sentei e esqueci do tempo, só pra poder ouvir mais um pouquinho. Como eu disse, tava precisando de um pouco de paz e a gente nunca sabe onde vai acabar encontrando-a né. Ótimo jeito de me despedir de Lisboa! Lembrei na hora do filme Once e me vi me apaixonando à primeira vista, nem eu sei pelo quê! Talvez pela melodia, talvez pelo tocador de violino, talvez pelo vento da tarde, pela minha sensação de liberdade, pela minha vontade de cantar também… Mas acho que foi pela beleza. Por qualquer forma dela que tantas vezes a gente deixa passar. Mas essa eu agarrei, segurei todo o sentimento comigo e pretendo não largar mais.

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Portugal

Tô indo. Juntei algumas tralhas, dois livros, um bloquinho do qual não me separo, aquela mochila velha, o ipod, e a correntinha do meu tio que não sai mais do meu pescoço. Coloquei um identificador novo na mala, um tercinho na carteira, meus papéis rabiscados de dicas de passeios no bolsinho de zíper da bolsa, aquele elástico de cabelo de molinha no pulso e pronto, tô indo. Vou me encontrar um pouquinho, tentar ter aquele insight do que realmente me importa e do que eu deveria finalmente abrir mão. Novos ares. Sempre bom! Ainda mais indo sozinha, sem horário, sem ter que dar satisfação, tendo a liberdade de escolher se viro pra direita ou pra esquerda ou se simplesmente sento no chão e faço nada por alguns segundos.

E depois de me aventurar um pouquinho por Lisboa, ainda vou ter a felicidade de encontrar os bebês mais lindos do mundo em Fátima e mimá-los por pelo menos 10 dias! Que saudade da paz que isso me traz! Que vontade de sair por aí sem hora pra voltar. Que delícia essa sensação de que por pelo menos alguns dias eu vou poder respirar, andar, viver no meu próprio ritmo. Tchau, tô indo!

“Pretendo descobrir no último momento, um tempo que refaz o que desfez, que recolhe todo o sentimento e bota no corpo uma outra vez!” Chico Buarque

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Sem o teu sim

(Queria tanto que mais gente conseguisse pensar assim..)

Os dias passam ainda como brisas. Superficiais. Fracos. Insuficientes pra mover o que quer que esteja pelo caminho, pelas vielas, pelas veias, pelos pensamentos perdidos em rumos contrários do que antes eu chamava de ‘nós’. Não acredito em finais. Prefiro assim. Acredito em recomeços. Quando eu menos esperava eu me descobri a maior das otimistas, procurando por antônimos pra tudo que surgia na minha cabeça como verdades absolutas que me faziam tanto mal. Sem o teu sim eu me assustei tanto com tão pouco. Cada incerteza me parecia o abismo dos abismos no qual eu acabaria por me espatifar de um jeito ou de outro. Mas em tanta insignificância e falta de suspiros e não-movimento e vazio, cá estou eu transformando tudo em poesia, ou tentando, de novo e de novo até que algum tipo de faísca me atinja e me prove que eu ainda existo, aqui, dentro dessa armadura tão cheia de marcas. Me convencendo que existe ainda o sim, mesmo que não o seu. Mesmo que existam tantos nãos também. Mesmo que o meu sim, aquele sim, demore para me arrematar naquela famosa felicidade que eu achava que tinha encontrado em você… Não, eu retiro isso. Eu senti tudo que eu senti. Foi tudo real, independente de como terminou. E cada vez que eu ouvir seu sussurro baixinho, de noite, antes de dormir, eu vou me lembrar de como o outono realmente aconteceu. Sem idealizar nem menosprezar. Guardando na memória, entendendo que passou e olhando para a frente, para o novo, para os tantos outros sins e nãos que ainda vão me atingir. Mas por enquanto, os dias ainda são assim. Vai passar. Vai sim.

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Minha dança, os meus traços de chuva

Acho que eu não sou muito normal. Não sei se por tudo que vivi ou por simples desejos estranhos, o frio me dá vontade de fazer qualquer coisa menos ficar quieta. Não me entenda mal, aceitaria mais algumas horinhas de sono como qualquer outra pessoa, mas o frio me deixa agitada. Me dá vontade de sair de casa, desvendar o mundo, adentrar os outros, encontrar a mim mesma. O frio me lembra os dias inconfundíveis em que eu mais me aproximei do que é ser livre, daquela tão idealizada sensação de se pertencer. Talvez seja por isso: o vento gélido não me intimida. Não… ele me chama. Parece um convite a voltar a viver de novo, com mais vontade, com mais caráter, com menos medo. Como que uma última chamada pra fugir desse conformismo que assola nossos dias sempre tão normais.

Eu me reconheço no frio e, por isso, recebo-o sempre de braços abertos. Que falta me faz o tempo no qual eu te sentia constantemente meu; eu me sentia intensamente minha.

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Em algum lugar do passado

Fechou os olhos com força, lutando para não abrí-los nunca mais.

O medo o sufocou.

Foi quando os abriu novamente que caiu em si. Começou a permitir que as lágrimas molhassem seu rosto, que o coração fisgasse, que os soluços impedissem-no de parar. Havia acabado, ali, naquele momento, todo o resto de força que ainda guardava no reservatório de sanidade que há tanto tempo vinha perdendo.

Correu para fechar as janelas, impedir a liberdade do vento. Não, ali nem ele seria livre, ali ninguém tinha o direito de invadir! Sem luz, sem som. Sozinho. Dedilhava um bolero triste no violão, acendia cigarros tortos, percebia no teto cada aglomerado de sujeira e daí suspirava… Que tipo de vida era aquela? Que tipo de homem era esse.

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Os sofrimentos do jovem Werther

“22 de maio

Que a vida humana é apenas um sonho outros já disseram, mas também a mim esta ideia persegue por toda a parte. Quando penso nos limites que circunscrevem as ativas e investigativas faculdades humanas; quando vejo que esgotamos todas as nossas forças em satisfazer nossas necessidades, que apenas tendem a prolongar uma existência miserável; quando constato que a tranquilidade a respeito de certas questões não passa de uma resignação sonhadora, como se a gente tivesse pintado as paredes entre as quais jazemos presos com feições coloridas e perspectivas risonhas – tudo isso, Guilherme, me deixa mudo. Meto-me dentro de mim mesmo e acho aí um mundo! Mas antes em pressentimentos e obscuros desejos que em realidade e ações vivas. E então tudo paira a minha volta, sorrio e sigo a sonhar, penetrando adiante no universo.”

Sábio Goethe

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