“Primeiro de tudo, pra quem acha que certas discussões estão na moda. Discutir o preconceito, seja xenofobia, homofobia ou racismo, como isso afeta a nossa sociedade não é MODA. É da perspectiva mais LASTIMÁVEL achar que é pura e simplesmente tendência cidadãos com direitos procurarem todas as vias possíveis para conseguir políticas públicas que os defendam. Se a discussão da homofobia está tão efervescente agora não é por moda e sim por causa de espancamentos (um dos poucos que caíram na mídia), por causa de conservadores hipócritas como Bolsonaro e por causa da lamentável proposta do dia do orgulho heterossexual para não citar outros fatores. Para os ignorantes que se incomodam com a presença de pessoas que fujam do padrão historicamente edificado por religiões que seguem tradições MEDIEVAIS (atenção, estamos no século XXI), o preconceito funciona como uma barreira da expressão pessoal dos indivíduos. Para as vítimas do preconceito, o tabu imposto pela sociedade opera de maneira a evitar que certas atitudes se concretizem, tipo o humor homofóbico. Porém, alguns indivíduos aparentemente sem noção dos códigos sociais não se deixam frear pelo tabu e insistem na ofensa. MUITAS piadas homofóbicas já viraram lugar comum e são aceitas. Seguindo essa linha, me intriga o por quê do drama hétero-religioso-burguês que reclama quando algum homossexual sente-se ofendido. Afinal, não estão os heterossexuais extremamente ofendidos, afetados e sensíveis a ponto de organizarem o dia do orgulho hetero? Voilà, todos se ofendem, todos se afetam e NÃO É NENHUM EXAGERO, MUITO MENOS EXTREMISMO alguém reclamar quando a piada vai além dos limites. O que espera-se de uma sociedade civilizada (aparentemente uma utopia porque tenho visto que alguns comportam-se de maneira ANIMALESCA) é o respeito mútuo. Porém, como disse antes, existem alguns que não sabem medir o que é ofensa ou não.
Como estudante de comunicação e a favor da democracia, sou pró liberdade de expressão, porém, deve-se saber que palavras têm consequencias. Um exemplo recente é do Lars von Trier em Cannes. Ele disse o que pensava e pagou por isso. Pagou pois ele tocou num assunto delicado, com o qual TODOS devemos ter tato para tratar. Quando o assunto é a homofobia e considerando os acontecimentos últimos no Brasil e no mundo, as palavras DEVEM ser medidas pois ainda ofende-se muito, desrespeita-se muito.
Algo que me confunde de maneira inebriante é quando se diz: “se você não é capaz de aceitar a opinião alheia, não expresse a sua também, guarde pra você.” Ora, ao que me parece é que quem escreve isso tenta de alguma maneira refrear um ponto de vista que lhe punge. Até onde sabe-se, debates e discussões CONSTRUTIVOS E SAUDÁVEIS acontecem com base nessa diferença de opiniões. E, em nenhum momento deve-se ACEITAR a opinião alheia e sim, respeitá-la e em seguida, defender sua própria. Será que devo dizer em réplica: Vamos todos ficar calados? Afinal, não vejo ninguém aqui capaz de acatar com a opinião alheia (nem deveríamos), não vamos nos expressar? Nem por meio de uma reles piadinha homofobica. Fica aí minha dúvida.
Em um certo momento eu até disse que todos se ofendem, todos se afetam, ou seja, eu compreendo os dois lados da moeda. Um onde o homossexual sente-se ofendido pelas piadas, outro onde o heterossexual por ter sua expressão pessoal coibida também, a partir do momento em que toda piada é politicamente incorreta. Por último, devo dizer que aceito sim a diferença de opiniões, já que, como disse antes, acredito que essa é a base de um debate saudável. A minha ressalva continua sendo quando dizem que devo ACEITAR o ponto de vista alheio, porque, realmente, esse não é o meu papel nem o de ninguém. Afinal, se todos aceitássemos não haveria discussões, apenas passividade e conformismo, pois a partir do momento que aceitamos abrimos mão da credibilidade das nossas próprias visões de mundo.”
De uma simples conversa de facebook, surgiu esse texto extremamente inteligente. Algo que todos deveriam ler, portanto me senti na obrigação de compartilhar. Todos os créditos à Fê!